segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ya!

tem saudade

e um continente inteiro pra separar-nos.

Então poupe suas mentiras e desejos, beba aquela Tequila que ya me voy.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Antítese


Sabia que tal pedido de vida traria uma arenosa antítese?



áspera por consequência.



Duelo entre inocência e fúria.



Sabia que tal pedido de vida traria uma arenosa antítese?



Porque a que deseja, é digna, é humana.



Ser humano é querer comer tudo o que falta ao respirar. O que te falta?



comida? conquista?falta paz? amor? paixão?



falta fúria?



endorfina?



adrenalina?



falta a pedra? erro?



o peso?



é o peso?



é o peso de vida que me pede?









Há escolhos, tantas escolhas, caro.



Há caros laços, trajados das mais diversas cores.



Há tantas cores nos nossos laços.



Há tantas escolhas nos nossos laços.



Os seus estão cinzas?



Por isso me pede um vermelho?



A cúmplice em seu desejo áspero

E você não quer um laço vermelho,


quer desejo de vida, áspera.


Sabia que tal pedido de vida traria uma áspera antítese?


Porque um dia concordamos que não existia pecado,


mas não são laços que você quer.


O pecado inventado


cultivado


dissimulado


é que te interessa.



é o peso da vida que me pede?


é o peso do pecado?




Mas concordamos que não existe pecado,



e não quero essa áspera antítese no meu desejo de vida.



















segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Desencontro



Aquela era uma época de se criar mapas.



Uma grande endemia de fusos rodeava toda a estrutura e era necessário se localizar.


Não por acaso aquele apareceu. Aquele que não brincava com palavras, aquele que chegava apenas, que impunha sua presença. Sua adorável presença.



Era ele a quem eu negava minhas fraquezas, e criava mapas.

E o amava, no escuro.




Era eu a quem ele buscava Dulcínea, e criava sua fortaleza.

E a amava, no escuro.




Era só o escuro que compartilhávamos, afinal.


Eu era sua ponte, ele era meu porto.




Passado o tempo,
O mapa foi finalmente traçado,
E Dulcínea encontrada.



Nem ponte nem porto,
Nada mais.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

tentativas


Algo me diz que devo escrever-lhe, meu amigo.
Não que algo extraordinário tenha acontecido. Algumas coisinhas do dia-a-dia sim ocorreram, algumas surpresas de comportamento humano, uma ou outra luz se ascendeu... mas apenas leves brisas que devo contar em nosso próximo encontro, sentados em um gramado qualquer.
Melhor pensando, coisas extraordinárias aconteceram, a todo momento.
Todos os meus sins e nãos. Todo pensamento, todo amor, toda alma, toda tentativa.
Ultimamente vivo tentando, um novo paquera, uma nova nota musical, um novo livro.
Resolvi dar mais algumas chances.
Da minha janela o céu está negro, nenhuma estrelinha se quer brilha.
pobre janela minha, é tão pequena! Mal sabe ela do tamanho do universo...
conhecido?
desconhecido?
que parte do dele conhecemos a final?
qual pequena parte provamos?
provo o ar, a pele, o gosto, o gozo, o beijo.
o mistério.
Não é engraçado provar o mistério?
não é o que move o mundo pacato, afinal?
somos tão desbravadores em nossos sentimentos cristãos e pagãos.


Tenho medo da solidão.
A solidão fria de me perder de mim mesma. De um dia acordar e meus olhos não brilharem como o da garotinha de cabelos desajuizados.
Da música não fazer mais sentido.
medo da surdez cega, ardida.
Tenho medo do meu medo.
Medo do universo apático.
Mas flores sempre nasceram, certo?
Clichês sempre existiram, certo?
O improvável pode acontecer, certo?
"Quero ser guiada, às vezes, entenda, por quem me vê simples, despida"
Quero que peguem minha mão e juntos respiremos na mesma sincronia
que juntos provemos o mistério...
Tenho medo de não haver mais mistérios.


Vivo tentando, um novo paquera, uma nova nota musical, um novo livro.



O que me deixa mais feliz nesta história, é que essas tentativas me trouxeram você
te gosto muito meu amigo!


besitos besitos besitos
Anoca!

domingo, 15 de agosto de 2010

Guia na penumbra


O dia já quase vem, e você logo vai, pra onde mesmo?


Pra onde vai quando os raios de sol despertam?


seu íntimo te acompanha?


Pra onde seus olhos vão quando há luz? Onde se fecham na escuridão?


Minha criança de brincadeiras adultas, onde me levará na penumbra?


Seria eu feliz por lá?


Por que meus olhos se fecham à luz ácida de um mundo que não controlo. Em tal que pertenço, sem pertencer. Parte me consome, apodrece.


A luz do dia.


Pra onde seus olhos vão quando há luz? Onde se abrem na escuridão?


Há lugares que não pertenço, pertencendo. Partes são soma de um todo maior, fixadas por impulsos nervosos impetulosos. Lembra-se das sinapses? Enlouquecedoras. Não há falta de visão nesta tão clara escuridão!


Onde me levará na penumbra?


Meus sentidos lá estarão vigentes? Você me guiará?

Quero ser guiada, às vezes, entenda, por quem me vê simples, despida.

Mas já é quase dia, aonde vai mesmo?


o que faz do seu dia? das horas?

O que meramente pode pertencer-nos dela são os cheiros, de resto somos levados, e lavados.

Mas aqui é o recanto,

seu íntimo te pertence, entenda.

À você, somente.


Me abrace antes de ir

e feche a porta.




segunda-feira, 19 de julho de 2010

Durmo só


Durmo só
e calada.
Durmo em minhas mãos,
que conforta.
Durmo só,
desapego.
Porque a quem me vê dormindo,
entregue
não há hora mais vulnerável,
mais admirável, pois
a um sentimento, amor.
Durmo só,
enquanto apenas minhas mãos me confortam.

Do poeta ao cientista








A casa velha.

Eu morava na rua Raimundo Correia.

Sempre gostei deste tal Raimundo

sem saber porquê,

mas sabia porque gostava da rua, da calçada quebrada, dos buracos, da locadora na esquina,

das casas dos vizinhos, do ir do vir...

De acompanhar o voar das pompas.



Até que mudei pra Carlos Chagas.



Assim dizia a saudade logo que saí da rua do poeta:

"eu quero voltar pra casa velha"

- Para com isso
menina!

frase teimosa contínua,

pelo menos por um bom tempo.

Claro que a nova foi melhor:

era maior, piscina, um QUARTO SÓ PRA MIM E AINDA POR CIMA ROSA!!!

O que mais poderia querer? Suíte, claro! Tinha, tenho.

A casa era grande o suficiente pra eu correr do meu
irmão, das nossas diferenças de sexo, de idade e semelhanças de amor.

Só era grande o suficiente.

Só tinha lugar pra tudo,

e se tinha lugar pra tudo, abandonei a rua.

A própria!

Minha bicicleta agora voava dentro do quintal,

aprendi a ser dentro de quatro paredes,


mas as pombas só voam do lado de fora,

e pra onde iam, já não alcançava ver.



Carlos Chagas descobriu o infeliz que inchava e matava o coração, mas não descobriu a cura.


Já o velho Raimundo, ah , esse apresentou-me as pombas!





Pelo menos, do alto da sacada, a vida, ainda posso vê-los,

pássaros asas,liberdade.

domingo, 20 de junho de 2010

sobre festa


Havia muita festa aquele dia. Não necessariamente do tipo tradicional. Havia de vários modos.
A turma reuniu-se, como de costume, sob o pretexto de vibrar por um Brasil de acolá, por um jogo apenas. A família era a mesma, de sempre, e trazia em seus olhares a tal obrigação de amar uns aos outros. Era dia de festa.
Mas os laços estavam tão desgastados, que muitos sanguíneos não compareceram, e dos que alí estavam, pequenos grupos se formaram no salão. É obrigação amarmo-nos.
Neste contexto, pois, não sabia onde ficar, o que fazer ou dizer.
Tinha que estar bem, era necessário sorrir e conversar. Mas o quê? Como?
Respirar.
Na frente do salão, uma garotinha linda, como ela se denominou, chamou-me a sentar na grama. Grama.
Heloísa em sua pequenez, queria que também deitasse na grama. Ai, deitei.
Olhei para o céu, estava azul, tão intenso.
Depois ao virar pro lado, o que ví foi seu rosto num sorriso tão sincero, acomodo naquele verde intenso.
Estavamos enfim bem e cantamos. A casa engraçada, sem teto nem paredes, mas feita com tanto esmero, colocou-nos frente a frente, e continuamos a cantar.
Deitadas, nossos sonhos vieram e o tempo também cantarolou. Não importava quem passasse, ou o que pensasassem sobre nossas quase duas décadas de diferença, alí, na grama verde, estavamos tão felizes. Em festa.

Eu a peguei em meu colo e cantei: " Vem me faz um carinho/ me toque mancinho/ me conta um segredo/ ou me enche de beijos/ depois vai descansar/ outra forma não há/ como eu te valorizo/ eu te espero acordar!"
Ela fechou seus olhinhos, e me abraçou da única maneira que sua inocência a presenteava, abraçou-me forte.
A garotinha linda é minha família.
Nosso amor é respirar, apenas.


Na outra festa, tivemos que lavar nossos mãos, e nos sentar, comportadas.
Mas nossa transgressão já estava feita. E estavamos felizes.

sábado, 15 de maio de 2010

sobre laços

Quando atendeu o telefone, aquelas músicas já estavam no fundo. A voz de surpresa e alegria me fez cúmplice daquele estranho momento. De festa.
De um lado um coração apertado em busca de abrigo, de outro uma voz mole, alegre, perdida.
A conversa seguiu como colegas de rápido encontro.
De tantos fantasmas há serem espantados, nenhum saiu do lugar.
Nem ao menos um.
Do que se foi dito, mentiras cantaroladas aos conhecidos. Nada nos uniu.
Mas não somos conhecidos, somos família.
Unidas aos casos de íngrime abismo. Tão próximas que o sangue nos coloca lado a lado nos fados.
Haveria de segurarmos a mão um do outro e nos salvar dia a dia de nossos medos?
Haveria essa chance?
Não naquele momento.
Aquele foi o momento de se esconder, um atrás da embriaguez, outro em um falso bem-estar.

Como a festa continuava, dois minutos eram suficientes ao encontro.
Na despedida, um tímido eu te amo surgiu entre as partes.
sussurrado, era o laço que nos unia.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

sobre celas

Não que a vida seja uma total canção lírica idealizada. Ela é fria em seus termos mais sólidos e ácida em seus pontos mancos.Não se pode correr dos fatos que a abraçam. Em alguns casos, o abraço não é quente como o de uma mãe, nem protetor como o de um pai, nem ao menos é amigo. Há casos, em que o abraço não passa de celas, sufocantemente quentes e agonizantemente frias. A antagonia dos fatos, nesses casos, se dá por não se entender o motivo de tal labirinto e claro, pela destruição de um rumo melhor que ela acarreta.

Há, entretanto, momentos em que, ao se estar tão amarrada em certa realidade, as criaturas, provando sua divindade, conseguem aos poucos romper cordas e arames e voltar, enfim, a ouvir canções líricas.

Na vida, não há sorte que se tome por completo, nem azar que se crie como amigo. Há apenas a história. Histórias de berço, circunstância e signo, que a vida usa em seus jogos,nada mais. Por isso, as cicatrizes conquistadas ao se libertar de tais entravas são méritos absurdamente líricos. Líricos?
Eis uma tal canção de amor verdadeiramente lírica.
Despida de idealizações
mas claramente lírica.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

sobre vontade


Fazer o que
se apetece
justapõe a
antítese alheia.
Mas esta é tal
tão maçante,
na tagarelice,
que transpõe
tamanha vontade
de uma ação
reprimidinha.

Fazer o que se apetece
dá, portanto,
mais prazer
pelo sonho
em outro realizado,
do ser polido,
que pelo fato
concretizado
do atrevido.