terça-feira, 7 de setembro de 2010

tentativas


Algo me diz que devo escrever-lhe, meu amigo.
Não que algo extraordinário tenha acontecido. Algumas coisinhas do dia-a-dia sim ocorreram, algumas surpresas de comportamento humano, uma ou outra luz se ascendeu... mas apenas leves brisas que devo contar em nosso próximo encontro, sentados em um gramado qualquer.
Melhor pensando, coisas extraordinárias aconteceram, a todo momento.
Todos os meus sins e nãos. Todo pensamento, todo amor, toda alma, toda tentativa.
Ultimamente vivo tentando, um novo paquera, uma nova nota musical, um novo livro.
Resolvi dar mais algumas chances.
Da minha janela o céu está negro, nenhuma estrelinha se quer brilha.
pobre janela minha, é tão pequena! Mal sabe ela do tamanho do universo...
conhecido?
desconhecido?
que parte do dele conhecemos a final?
qual pequena parte provamos?
provo o ar, a pele, o gosto, o gozo, o beijo.
o mistério.
Não é engraçado provar o mistério?
não é o que move o mundo pacato, afinal?
somos tão desbravadores em nossos sentimentos cristãos e pagãos.


Tenho medo da solidão.
A solidão fria de me perder de mim mesma. De um dia acordar e meus olhos não brilharem como o da garotinha de cabelos desajuizados.
Da música não fazer mais sentido.
medo da surdez cega, ardida.
Tenho medo do meu medo.
Medo do universo apático.
Mas flores sempre nasceram, certo?
Clichês sempre existiram, certo?
O improvável pode acontecer, certo?
"Quero ser guiada, às vezes, entenda, por quem me vê simples, despida"
Quero que peguem minha mão e juntos respiremos na mesma sincronia
que juntos provemos o mistério...
Tenho medo de não haver mais mistérios.


Vivo tentando, um novo paquera, uma nova nota musical, um novo livro.



O que me deixa mais feliz nesta história, é que essas tentativas me trouxeram você
te gosto muito meu amigo!


besitos besitos besitos
Anoca!

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