terça-feira, 14 de setembro de 2010

Antítese


Sabia que tal pedido de vida traria uma arenosa antítese?



áspera por consequência.



Duelo entre inocência e fúria.



Sabia que tal pedido de vida traria uma arenosa antítese?



Porque a que deseja, é digna, é humana.



Ser humano é querer comer tudo o que falta ao respirar. O que te falta?



comida? conquista?falta paz? amor? paixão?



falta fúria?



endorfina?



adrenalina?



falta a pedra? erro?



o peso?



é o peso?



é o peso de vida que me pede?









Há escolhos, tantas escolhas, caro.



Há caros laços, trajados das mais diversas cores.



Há tantas cores nos nossos laços.



Há tantas escolhas nos nossos laços.



Os seus estão cinzas?



Por isso me pede um vermelho?



A cúmplice em seu desejo áspero

E você não quer um laço vermelho,


quer desejo de vida, áspera.


Sabia que tal pedido de vida traria uma áspera antítese?


Porque um dia concordamos que não existia pecado,


mas não são laços que você quer.


O pecado inventado


cultivado


dissimulado


é que te interessa.



é o peso da vida que me pede?


é o peso do pecado?




Mas concordamos que não existe pecado,



e não quero essa áspera antítese no meu desejo de vida.



















segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Desencontro



Aquela era uma época de se criar mapas.



Uma grande endemia de fusos rodeava toda a estrutura e era necessário se localizar.


Não por acaso aquele apareceu. Aquele que não brincava com palavras, aquele que chegava apenas, que impunha sua presença. Sua adorável presença.



Era ele a quem eu negava minhas fraquezas, e criava mapas.

E o amava, no escuro.




Era eu a quem ele buscava Dulcínea, e criava sua fortaleza.

E a amava, no escuro.




Era só o escuro que compartilhávamos, afinal.


Eu era sua ponte, ele era meu porto.




Passado o tempo,
O mapa foi finalmente traçado,
E Dulcínea encontrada.



Nem ponte nem porto,
Nada mais.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

tentativas


Algo me diz que devo escrever-lhe, meu amigo.
Não que algo extraordinário tenha acontecido. Algumas coisinhas do dia-a-dia sim ocorreram, algumas surpresas de comportamento humano, uma ou outra luz se ascendeu... mas apenas leves brisas que devo contar em nosso próximo encontro, sentados em um gramado qualquer.
Melhor pensando, coisas extraordinárias aconteceram, a todo momento.
Todos os meus sins e nãos. Todo pensamento, todo amor, toda alma, toda tentativa.
Ultimamente vivo tentando, um novo paquera, uma nova nota musical, um novo livro.
Resolvi dar mais algumas chances.
Da minha janela o céu está negro, nenhuma estrelinha se quer brilha.
pobre janela minha, é tão pequena! Mal sabe ela do tamanho do universo...
conhecido?
desconhecido?
que parte do dele conhecemos a final?
qual pequena parte provamos?
provo o ar, a pele, o gosto, o gozo, o beijo.
o mistério.
Não é engraçado provar o mistério?
não é o que move o mundo pacato, afinal?
somos tão desbravadores em nossos sentimentos cristãos e pagãos.


Tenho medo da solidão.
A solidão fria de me perder de mim mesma. De um dia acordar e meus olhos não brilharem como o da garotinha de cabelos desajuizados.
Da música não fazer mais sentido.
medo da surdez cega, ardida.
Tenho medo do meu medo.
Medo do universo apático.
Mas flores sempre nasceram, certo?
Clichês sempre existiram, certo?
O improvável pode acontecer, certo?
"Quero ser guiada, às vezes, entenda, por quem me vê simples, despida"
Quero que peguem minha mão e juntos respiremos na mesma sincronia
que juntos provemos o mistério...
Tenho medo de não haver mais mistérios.


Vivo tentando, um novo paquera, uma nova nota musical, um novo livro.



O que me deixa mais feliz nesta história, é que essas tentativas me trouxeram você
te gosto muito meu amigo!


besitos besitos besitos
Anoca!