Não que a vida seja uma total canção lírica idealizada. Ela é fria em seus termos mais sólidos e ácida em seus pontos mancos.Não se pode correr dos fatos que a abraçam. Em alguns casos, o abraço não é quente como o de uma mãe, nem protetor como o de um pai, nem ao menos é amigo. Há casos, em que o abraço não passa de celas, sufocantemente quentes e agonizantemente frias. A antagonia dos fatos, nesses casos, se dá por não se entender o motivo de tal labirinto e claro, pela destruição de um rumo melhor que ela acarreta.
Há, entretanto, momentos em que, ao se estar tão amarrada em certa realidade, as criaturas, provando sua divindade, conseguem aos poucos romper cordas e arames e voltar, enfim, a ouvir canções líricas.
Na vida, não há sorte que se tome por completo, nem azar que se crie como amigo. Há apenas a história. Histórias de berço, circunstância e signo, que a vida usa em seus jogos,nada mais. Por isso, as cicatrizes conquistadas ao se libertar de tais entravas são méritos absurdamente líricos. Líricos?
Eis uma tal canção de amor verdadeiramente lírica.
Despida de idealizações
mas claramente lírica.
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