sábado, 15 de maio de 2010

sobre laços

Quando atendeu o telefone, aquelas músicas já estavam no fundo. A voz de surpresa e alegria me fez cúmplice daquele estranho momento. De festa.
De um lado um coração apertado em busca de abrigo, de outro uma voz mole, alegre, perdida.
A conversa seguiu como colegas de rápido encontro.
De tantos fantasmas há serem espantados, nenhum saiu do lugar.
Nem ao menos um.
Do que se foi dito, mentiras cantaroladas aos conhecidos. Nada nos uniu.
Mas não somos conhecidos, somos família.
Unidas aos casos de íngrime abismo. Tão próximas que o sangue nos coloca lado a lado nos fados.
Haveria de segurarmos a mão um do outro e nos salvar dia a dia de nossos medos?
Haveria essa chance?
Não naquele momento.
Aquele foi o momento de se esconder, um atrás da embriaguez, outro em um falso bem-estar.

Como a festa continuava, dois minutos eram suficientes ao encontro.
Na despedida, um tímido eu te amo surgiu entre as partes.
sussurrado, era o laço que nos unia.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

sobre celas

Não que a vida seja uma total canção lírica idealizada. Ela é fria em seus termos mais sólidos e ácida em seus pontos mancos.Não se pode correr dos fatos que a abraçam. Em alguns casos, o abraço não é quente como o de uma mãe, nem protetor como o de um pai, nem ao menos é amigo. Há casos, em que o abraço não passa de celas, sufocantemente quentes e agonizantemente frias. A antagonia dos fatos, nesses casos, se dá por não se entender o motivo de tal labirinto e claro, pela destruição de um rumo melhor que ela acarreta.

Há, entretanto, momentos em que, ao se estar tão amarrada em certa realidade, as criaturas, provando sua divindade, conseguem aos poucos romper cordas e arames e voltar, enfim, a ouvir canções líricas.

Na vida, não há sorte que se tome por completo, nem azar que se crie como amigo. Há apenas a história. Histórias de berço, circunstância e signo, que a vida usa em seus jogos,nada mais. Por isso, as cicatrizes conquistadas ao se libertar de tais entravas são méritos absurdamente líricos. Líricos?
Eis uma tal canção de amor verdadeiramente lírica.
Despida de idealizações
mas claramente lírica.