domingo, 20 de junho de 2010

sobre festa


Havia muita festa aquele dia. Não necessariamente do tipo tradicional. Havia de vários modos.
A turma reuniu-se, como de costume, sob o pretexto de vibrar por um Brasil de acolá, por um jogo apenas. A família era a mesma, de sempre, e trazia em seus olhares a tal obrigação de amar uns aos outros. Era dia de festa.
Mas os laços estavam tão desgastados, que muitos sanguíneos não compareceram, e dos que alí estavam, pequenos grupos se formaram no salão. É obrigação amarmo-nos.
Neste contexto, pois, não sabia onde ficar, o que fazer ou dizer.
Tinha que estar bem, era necessário sorrir e conversar. Mas o quê? Como?
Respirar.
Na frente do salão, uma garotinha linda, como ela se denominou, chamou-me a sentar na grama. Grama.
Heloísa em sua pequenez, queria que também deitasse na grama. Ai, deitei.
Olhei para o céu, estava azul, tão intenso.
Depois ao virar pro lado, o que ví foi seu rosto num sorriso tão sincero, acomodo naquele verde intenso.
Estavamos enfim bem e cantamos. A casa engraçada, sem teto nem paredes, mas feita com tanto esmero, colocou-nos frente a frente, e continuamos a cantar.
Deitadas, nossos sonhos vieram e o tempo também cantarolou. Não importava quem passasse, ou o que pensasassem sobre nossas quase duas décadas de diferença, alí, na grama verde, estavamos tão felizes. Em festa.

Eu a peguei em meu colo e cantei: " Vem me faz um carinho/ me toque mancinho/ me conta um segredo/ ou me enche de beijos/ depois vai descansar/ outra forma não há/ como eu te valorizo/ eu te espero acordar!"
Ela fechou seus olhinhos, e me abraçou da única maneira que sua inocência a presenteava, abraçou-me forte.
A garotinha linda é minha família.
Nosso amor é respirar, apenas.


Na outra festa, tivemos que lavar nossos mãos, e nos sentar, comportadas.
Mas nossa transgressão já estava feita. E estavamos felizes.