segunda-feira, 19 de julho de 2010

Durmo só


Durmo só
e calada.
Durmo em minhas mãos,
que conforta.
Durmo só,
desapego.
Porque a quem me vê dormindo,
entregue
não há hora mais vulnerável,
mais admirável, pois
a um sentimento, amor.
Durmo só,
enquanto apenas minhas mãos me confortam.

Do poeta ao cientista








A casa velha.

Eu morava na rua Raimundo Correia.

Sempre gostei deste tal Raimundo

sem saber porquê,

mas sabia porque gostava da rua, da calçada quebrada, dos buracos, da locadora na esquina,

das casas dos vizinhos, do ir do vir...

De acompanhar o voar das pompas.



Até que mudei pra Carlos Chagas.



Assim dizia a saudade logo que saí da rua do poeta:

"eu quero voltar pra casa velha"

- Para com isso
menina!

frase teimosa contínua,

pelo menos por um bom tempo.

Claro que a nova foi melhor:

era maior, piscina, um QUARTO SÓ PRA MIM E AINDA POR CIMA ROSA!!!

O que mais poderia querer? Suíte, claro! Tinha, tenho.

A casa era grande o suficiente pra eu correr do meu
irmão, das nossas diferenças de sexo, de idade e semelhanças de amor.

Só era grande o suficiente.

Só tinha lugar pra tudo,

e se tinha lugar pra tudo, abandonei a rua.

A própria!

Minha bicicleta agora voava dentro do quintal,

aprendi a ser dentro de quatro paredes,


mas as pombas só voam do lado de fora,

e pra onde iam, já não alcançava ver.



Carlos Chagas descobriu o infeliz que inchava e matava o coração, mas não descobriu a cura.


Já o velho Raimundo, ah , esse apresentou-me as pombas!





Pelo menos, do alto da sacada, a vida, ainda posso vê-los,

pássaros asas,liberdade.