terça-feira, 7 de junho de 2011

Elixir


A primeira vez que o vi senti doce, dose

Noite, à noite

Quis provar com a curiosidade digna

Licor de Cacau

Senti em malemolência de um olhar

Baixo, de canto, de lado.

Tequila

Pura.

Fiz um comentário banal

Baixo, de canto, de lado.

Olhar composto,

Curiosidade digna,

Atrevida.

Tequila

Pura.

Até que fui boba, como manda a boa literatura, engasguei, rosnei frases desconexas, quis mostrar meu melhor ângulo!

Que ângulo?

Queria a dose!

A escolhida

Baixa, de canto, de lado.

À noite.

O olhar seguia, os movimentos seguiam

Um vício cardiovascular.

Ao fundo batidas

Remixes, paradas

Liberei o cardio, soltei os músculos

Todos eles, numa noite.

Músculos, pele, cabelo.

Mas Ana aquariana, você não é tão imune quanto pensava!

Vício cardio

Ataque cardio,

Em outra noite

Outra.

Pimenta.

E me pego pensando, me pego correndo

Me pego

Pimenta.

O tempo passa

Pimenta.

O tempo passa

Pimenta.

O tempo passa

Pimenta.

Faço as releituras

Nada muda

Pimenta.

O tempo transforma

Pimenta

O tempo pede

Eu, em outro ângulo

Dose digna.






Afinal, ele foi meu elixir: licor de cacau, tequila e pimenta!





foto: Tom Waits por Rob Verhorst/Redferns


Um comentário:

  1. Ana eu li isso e me deu vontade de chorar. Não pela leitura (tocante por sinal), mas de saudade de você. De verdade... Tenho saudade.

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